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Achai Gaon

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Achai Gaon
Biografia
Nascimento
Morte
Local de trabalho
Atividades
Outras informações
Áreas de trabalho
Religião
'Magnum opus'
She'iltot (d)
AharonimRishonimGueonimSavoraimAmoritasTanaítaZugot

Achai Gaon (também conhecido por Ahai de Sabha ou Aha de Sabha) foi um estudioso do período dos Gueonim, um talmudista, de alto renome. Goza da distinção de ser o primeiro autor rabínico conhecido da história após a conclusão do Talmude.[1] Como ele nunca, na verdade, tornou-se um Gaon (“gênio” em hebraico) de nenhuma das duas academias talmúdicas, a designação “Gaon” anexada ao seu nome é imprópria.

Tendo morrido o gaon de Pumbedita, Achai foi universalmente reconhecido como o homem mais apto para sucedê-lo. Mas um rancor pessoal mantido há anos em segredo pelo exilarca Salomão bar Ḥasdai fez com que fosse nomeado para o cargo Natroi Kahana ben Amuna,[2] secretário de Achai, um homem muito inferior a ele em aprendizagem e em conhecimentos gerais. Muito irritado com a injustiça, o eminente estudioso deixou a Babilônia e estabeleceu-se na Terra de Israel, por volta de 752-753, onde permaneceu até sua morte. Apesar de Moritz Steinschneider[3] erroneamente atribuir 761 como o ano de sua morte, a data exata ainda é desconhecida.

Deve ter sido em Israel que Achai escreveu seu livro intitulado She'iltot (“Perguntas” no sentido de dissertações), como o título evidencia; pois esta palavra aramaica é empregada no sentido de pergunta (a investigação científica de uma questão) apenas pelos judeus de Israel.[4] “Sheilta” é de origem palestina, como é demonstrado pelas palavras buẓina e bisha, que a acompanham. Samuel Mendelsohn é muito correto em sua explicação do termo.[5] Se, portanto, Simeão Kayyara fez uso de “She'iltot” em seu Halakhot Gedolot, como é agora certo, a declaração de Abraão ibne Daúde (de acordo com quem o trabalho de Simeão foi concluído em 750) deve estar errada, uma vez que Achai não deixou a Palestina antes de 752; e sabe-se que Samuel Gaon, de quem ele foi sucessor, não morreu antes de 751-752. Existem também outras evidências da influência palestina no trabalho de Achai. Por exemplo, seu tratado indica que, além do Talmude babilônico (que, na natureza das coisas, foi a sua autoridade principal), fez uso frequente do Yerushalmi,[6] e dos Midrashim palestinos, Leviticus Rabá, Eclesiastes Rabá, e do Tanḥuma, que naquela época eram totalmente desconhecidos na Babilônia (na verdade, mesmo Saadia Gaon, quase duzentos anos mais tarde, sabia comparativamente pouco deles).

She'iltot de Achai

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She'iltot de Achai Gaon

She'iltot, também conhecidos por She'iltot d’Rav Achai ou Sheiltos, é uma coleção de homilias (ao mesmo tempo erudito e popular) sobre as leis e ética judaicas.[1] Todo o caráter dos “She'iltot” é palestino; e, como tal, eles são completamente distintos das sinopses contemporâneas de Yehudai Gaon e Simeão Kayyara, que os limitam às decisões importantes do Talmude, com a omissão de todos os debates, e com a adição de curtas explicações das palavras.

O método de Achai é bastante diferente daquele dos rabinos da Babilônia, que pouco se importavam com a instrução das pessoas comuns, e escreviam escolasticamente. She'iltot, ao contrário, foram escritos pensando nos leigos. Os tratados de Achai sobre preceitos bíblicos e rabínicos, num total de 190 ou 191,[7] com adições de escritores posteriores, foram escritos com especial referência para a prática de tais deveres morais como a benevolência, amor, respeito aos pais, e amor à verdade. Eles baseiam-se na ordem dos parashot, as leituras semanais das leis.

O início do quarto “Sheilta”, que baseia-se na lição semanal de “Noé”, pode servir como um modelo de “She'iltot”. O roubo ou furto era expressamente proibido aos israelitas, e o castigo divino por causa da transgressão desta ordem é mais grave do que para outros crimes. Assim, verifica-se que, na história de Noé, aqueles da geração do Dilúvio sofreram o seu duro destino apenas por conta da sua violência, como é dito: «Hei resolvido dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia da violência dos homens» (Gênesis 6:13). Esta condenação moral é elaborada por Achai, que cita do Talmude e do Midrash muitas passagens sobre a impiedade e vileza de tais crimes. Ele continua esta declaração, precedido pela fórmula introdutória: “É, no entanto, questionável” (Beram ẓarik) - com indagações casuísticas, como, por exemplo, se é adequado incluir na designação de roubo, para o qual a Lei ordena a restituição dupla, o caso de um roubo cometido no interesse da vítima.

Esta ilustração serve para mostrar que o trabalho não se destina só para os estudiosos, mas também para a instrução popular; e que a afirmação, tantas vezes repetida desde os tempos de Meiri, que o She'iltot era apenas um livro para a instrução da juventude, também é infundada. É mais provável que seja uma coleção de sermões agado-haláquicos, que Achai distribuiu na Palestina, onde certamente ele era tido em alta consideração. Com o declínio do conhecimento rabínico na Palestina, Achai teria encontrado poucos alunos para instruí-los no puro Halachá, e esforçou-se, portanto, para adicionar elementos agádicos em suas palestras, em obediência à disposição geral dos palestinos, que só então preferiam o Aggadah.

Essa visão melhor explica a palavra “derashah” (palestra), que ocorre cerca de trinta vezes nos She'iltot, em conexão com a citação das passagens do Talmude. Se a suposição for verdadeira de que os She'iltot foram derivados dos sermões, eles podem ser devidamente considerados, na forma em que aparecem, como extratos ou resumos de tais sermões, dando a introdução e a conclusão do derashah original. Considerando-os como partes dos sermões, as repetições frequentes que ocorrem nos She'iltot não são para se estranhar, como aconteceria com o melhor dos pregadores, enquanto seria difícil explicar-lhes se eles forem encontrados nas produções estritamente literárias de um homem. Naturalmente, não pode haver qualquer conclusão sobre a composição dos She'iltot até que o manuscrito tenha sido analisado. O texto impresso, segundo autoridades mais antigas, contém muito assunto que foi inserido posteriormente. Uma edição original dos She'iltot seria muito valiosa para a crítica textual do Talmude babilônico, como, aliás, para a filologia aramaica em geral, uma vez que Achai escreveu em aramaico vernacular.

O trabalho de Achai logo ganhou grande estima, e o Halakot Gedolot, que não data do ano 750, porém pertence à literatura mais antiga do período gaônico, copia não menos do que cento e cinquenta passagens dos She'iltot. Sherira Gaon e seu filho, Hai Gaon, mencionam o livro pelo título; e foi também consultado livremente por Rashi e o autor do Aruk.

(1) A primeira edição dos She'iltot surgiu em Veneza, em 1546, e foi sucedida pelas seguintes: (2) uma edição com um breve comentário de Isaiah Berlin (Dyhernfurth, 1786); (3) uma outra sob o título תועפות ראם, com o comentário de Isaac Pardo, Salonica, 1800-01; (4) com um comentário de Naftali Zvi Yehuda Berlin (Wilna, 1861, 1864, 1867), cuja última edição contém o comentário de Isaiah Berlin, bem como uma série de variantes tomadas a partir de um manuscrito do ano 1460, e um breve comentário de Saul ben Joseph, que viveu provavelmente na primeira metade do século XIV. Os manuscritos dos She'iltot, mas com diferenças essenciais do texto impresso, encontram-se entre os manuscritos hebraicos da Bibliothèque Nationale, em Paris, nºs 308, 309, e na Biblioteca Bodleiana, em Oxford, nºs 539, 540, 1317. Na Biblioteca Bodleiana podem ser encontrados também os comentários não impressos de Salomão ben Sabetai (541), e de Johanan ben Reuben (542).

Referências

  1. ↑ a b Chisholm, Hugh, ed. (1911). «'Ahai». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) 
  2. ↑ Sherira Gaon (1988). The Iggeres of Rav Sherira Gaon (em inglês). Traduzido por Nosson Dovid Rabinowich. Jerusalém: Rabbi Jacob Joseph School Press - Ahavath Torah Institute Moznaim. p. 127. OCLC 923562173 
  3. ↑ Cat. Bodl. s.v.
  4. ↑ Shabbat 30a
  5. ↑ Rev. Ét. Juives, xxxii. 56
  6. ↑ Louis Ginzberg, em seu Geonica, argumenta que todas as citações alegadas do Talmude de Jerusalém podem de fato ser rastreados para outras fontes.
  7. ↑ ver Mendelsohn, l.c. 59
  • Chisholm, Hugh, ed. (1911). «'Ahai». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) 
  • Este artigo incorpora texto da Enciclopédia Judaica (Jewish Encyclopedia) (em inglês) de 1901–1906, uma publicação agora em domínio público.
  • Reifmann, em Bet Talmud, iii. 26-29, 52-59, 71-79, 108-117;
  • S. Buber, ibid. 209-215;
  • Weiss, Dor, iv. 23-26, e as passagens menciondas no índex;
  • A. Harkavy, Studien und Mittheilungen, iv. xxvi. e p. 373;
  • Isaac Halevy, Dorot ha-Rishonim, pp. 193, 211-214, Presburg, 1897;
  • J.L. Rapoport, Bikkure ha-'Ittim, x. 20 et seq.;
  • Fürst, Literaturblatt d. Orients, xii. 313;
  • Steinschneider, Cat. Bodl. No. 4330;
  • A. Jellinek, ḳunṭres ha-Maggid, p. 20, Viena, 1878;
  • S. Mendelsohn, in Rev. Ét. Juives, xxxii. 56-62.

Ligação externa

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Licensed under CC BY-SA 3.0 | Source: https://pt.wikipedia.org/wiki/Achai_Gaon
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